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A Dor de Cabeça


Desde os primórdios da civilização, o homem tem se preocupado com o sintoma dor de cabeça e tem procurado formas de o evitar ou eliminar. Sua importância, já ressaltada em textos assírios e babilônicos, foi definitivamente assinalada na literatura “médica” quando Hipócrates descreveu pela primeira vez um caso de enxaqueca.

A noção de dor de cabeça como uma queixa comum é antiga, constituindo um fato inconteste já comprovado por diversos estudos populacionais. Porém, o conhecimento detalhado da natureza dos diversos tipos de cefaléia, especialmente daquelas denominadas cefaléias primárias, só obteve progresso significativo nas últimas décadas do século XX. Para isso, contribuíram grandemente os avanços na área da epidemiologia e sua aplicação no estudo das cefaléias.

Em 1962, se estabeleceu o Ad Hoc Comittee on Classification of Headaches, porém somente em 1988 com o surgimento da classificação das cefaléias da International Headache Society (IHS), é que se passou a dispor de critérios clínicos operacionais e comparáveis para a classificação das cefaléias, critérios esses indispensáveis para o estudo epidemiológico dessas entidades. Em 1994 foi publicada a primeira revisão desta classificação, que é usada até hoje. Embora não destituída de falhas, essa classificação tem permitido uma maior uniformidade diagnóstica, ampliando a possibilidade de comparação entre diferentes estudos e examinadores.

Dividem-se as cefaléias em dois grandes grupos: primárias e secundárias. Dentre as ditas cefaléias primárias, a migrânea ocupa um lugar de destaque, em frequência, dentre as cefaléias primárias e indiscutivelmente é a que mais aparece nos consultórios dos neurologistas e que provoca maior impacto social e econômico na vida dos sofredores.

Com o crescente desenvolvimento tecnológico das ciências da saúde e do melhor entendimento dos mecanismos fisiopatológicos e de herança genética, o estudo das cefaléias tem se desenvolido enormemente. Também tem sido importante o entendimento de suas relações com outras enfermidades, não só como comorbidade, mas também como coadjuvante no desenvolvimento de vários agravos à saúde do indivíduo.

Desta forma, assim como em outras sub-áreas da neurologia (extrapiramidal, sono, epilepsia, demência, nervos periférico, etc) dado o enorme aporte de informações, vários grupos tem se dedicado ao estudo específico de alguns destes temas. No caso das cefaléias não tem sido diferente e, vários grupos de estudos brasileiros tem se formado, inclusive com uma produção científica de respeito internacional.

Em Minas Gerais também podemos contar com vários grupos de estudos, públicos e privados nesta área e, fomos pioneiros na criação de uma entidade para congregar estes neurologistas interessados no tema, a Sociedade Mineira de Neurologia.


Mauro Eduardo Jurno
Coodenador da Residência de Clínica Médica do HRB-FHEMIG
Doutorando da Universidade Federal Fluminense

 

 
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