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Distúrbios de Movimentos na UFMG


Francisco Cardoso
Professor Titular


Departamento de Clínica Médica – Neurologia – Faculdade de Medicina - UFMGO


O Ambulatório de Distúrbios de Movimentos da UFMG foi formalmente criado em julho de 1993, quando eu retornei do Baylor College of Medicine (Houston, TX, EUA). No entanto, já havia interesse na Instituição por esse grupo de enfermidades. Quando à época da minha Residência (1988-1991), vi número apreciável de pacientes com o que se chamava à época “doenças extra-piramidais”, sempre sob a tutela do Dr. Gilberto Belisário de Campos, então Professor Titular de Neurologia. Foi esse contato que despertou meu interesse no assunto e me levou a dedicar-me a seu estudo. A ressaltar, também que a sempre constante supervisão do Prof. José Teotonio de Oliveira, então Chefe do Serviço de Neurologia do Hospital das Clínicas, e o contato com o Prof. Luiz Augusto Franco de Andrade, à época na Escola Paulista de Medicina, foram impulsos decisivos. Com essa motivação, consegui ter o meu diploma médica aprovado pelo ECFMG e tornei-me “Clinical Post-Doctoral Fellow” do Dr. Joseph Jankovic em Houston durante dois anos. Inicialmente, eu era o único membro. No momento, além de mim, que coordeno as atividades, o Ambulatório de Distúrbios de Movimentos conta com os seguintes membros: Débora Maia, Sarah Camargos e Mauro Cunningham.

A ênfase central de nossas atividades no Ambulatório de Distúrbios de Movimentos da UFMG tem sido prover assistência médica de qualidade a pacientes portadores dessas enfermidades. A propósito da celebração dos nossos 15 anos e da escrita do Memorial para o concurso de Professor Titular que prestei em 2008, foi feita reflexão sobre o objetivo do Ambulatório e da atividade médica acadêmica em geral. O ponto de partida é sempre o ser Clínico, cuidar de pacientes. Durante esta atividade, torna-se possível ensinar, treinar médicos. Da observação cuidadosa dos problemas clínicos surgem perguntas a serem respondidas por pesquisa clínica e básica. E as Doenças do Movimento, por serem Império da Clínica, onde exames complementares representam modesto papel, são território particularmente fértil a apropriado para se cultivar essa fidelidade ao ver pacientes. A notar que no mundo acadêmico, brasileiro e no exterior, existe crescente ameaça à atividade clínica. Exigências equivocadas têm resultado em desvalorização do ser médico, com o surgimento de geração de profissionais com habilidades clínicas limitadas. Nosso propósito radical é a excelência clínica.

Em virtude da reconhecida precariedade do nosso sistema público de saúde, o volume de pessoas interessadas em serem atendidas por nós é muito grande. Nosso banco de dados tem registrado 4768 pacientes nesses 15 anos. Esse atendimento é feito no 6º Andar do Ambulatório Bias Fortes do Hospital das Clínicas nas tardes das terças-feiras e nas manhãs das quintas-feiras. Naquele primeiro dia, na verdade, funcionam simultaneamente vários ambulatórios, dedicados às seguintes enfermidades: Parkinsonismos; Distonias; Toxina Botulínica; Outros Movimentos Anormais. As manhãs de quinta-feira são dedicadas exclusivamente a Coréias.

Esse atendimento no Ambulatório de Distúrbios de Movimentos da UFMG tem tornado possível o treinamento de numerosos alunos de graduação, médicos-residentes e alunos de pós-graduação. Existe curso da disciplina de Neurologia para a graduação em Medicina da Faculdade de Medicina da UFMG, oferecido a estudantes do 9º período, que funciona nas tardes de terça-feira e manhãs de quinta-feira. Os Médicos-Residentes de Neurologia do Hospital das Clínicas da UFMG fazem estágio obrigatório no nosso Ambulatório. Ao longo desses anos, também temos recebido para estágio Médicos-Residentes de Neurocirurgia do Hospital das Clínicas da UFMG, da Fundação Hospitalar de Minas Gerais, do Hospital da Baleia (Fundação Benjamin Guimarães), Geriatria do Hospital das Clínicas da UFMG, Neuropediatria do Hospital das Clínicas da UFMG, Psiquiatria do Hospital das Clínicas da UFMG, Genética do Hospital das Clínicas da UFMG e Neuropediatria da Fundação Hospitalar de Minas Gerais. Além da atividade prática, esses médicos em treinamento participam de curso teórico dado pelos membros do Ambulatório de Distúrbios de Movimentos da UFMG. Alguns deles também têm se engajado em atividade de investigação.

As atividades de Pós-Graduação têm sido desenvolvidas em íntima ligação com pesquisa. Alunos dos seguintes cursos tiveram ou têm seus trabalhos de pesquisa executados no Ambulatório de Distúrbios de Movimentos da UFMG: Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG, Linguística da Faculdade de Letras da UFMG, Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG, Neurociências da UFMG, Neurologia da Faculdade de Medicina da USP, Biologia Celular e Escola de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da UFMG. A maioria dos alunos que aqui passa é médico, mas há contingente expressivo de fonoaudiólogas e fisioterapeutas. A análise de dados obtidos no Ambulatório já gerou cinco Teses de Doutorado, onze Dissertações de Mestrado, havendo cinco Teses e quatro Dissertações em Andamento. Sob o ponto de vista de publicações, são cerca de 100 artigos em revistas indexadas, dos quais 2/3 publicados no exterior, além de 33 capítulos de livros.



 
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